[Blog do Manuel Sales] Move Ceará acolhe demandas de municípios dos Sertões de Crateús

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O Move Ceará, iniciativa da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) em parceria com a plataforma TrendsCE, chegou ao Sertão de Crateús nesta terça-feira (19). O projeto é coordenado pelo Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Alece, o encontro aconteceu no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do município de Crateús e recebeu lideranças regionais dos setores de agricultura familiar, agronegócio, construção civil e educação para tratar das demandas específicas da região.

A secretária do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Alece, Luiza Martins, considerou a importância do projeto Move Ceará. Além de garantir subsídios para a elaboração de propostas da próxima gestão da Alece em apoio aos municípios, lembrou que é possível planejar que demandas podem ser respondidas no curto, médio e longo prazo.

“Um exemplo é o retorno do programa de cisternas, uma demanda que percebi ser comum a todas as macrorregiões. As dificuldades enfrentadas pelos agricultores para registro do título de terras no Instituto de Desenvolvimento Agrário do Estado (Idace) é outra demanda para a qual certamente lançaremos um olhar mais cuidadoso a partir de 2023”, disse.

O deputado Audic Mota (MDB) considerou o Move Ceará uma experiência “enriquecedora”. “É um momento de ouvir sugestões, críticas, ideias, e daqui sairão ações governamentais, ações políticas, algumas matérias legislativas que requerem uma maior maturação e outras que devem se tornar projetos de estado. Saímos mais ricos daqui, com bases para nossa produção legislativa para os meses futuros”, pontuou.

PRINCIPAIS DEMANDAS

O Sertão de Crateús é composto ainda pelos municípios de Ararendá, Catunda, Hidrolândia, Independência, Ipaporanga, Ipueiras, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Novo Oriente, Poranga, Santa Quitéria e Tamboril. As principais demandas, comuns a todos, dizem respeito à escassez hídrica, à modernização agrícola, e à falta de assistência técnica para os produtores. 

O secretário de Agricultura de Crateús, Bruno Alves, reforçou essas questões, mas cobrou mais atenção do governo ao Hora de Plantar, programa que atende com sementes e mudas de elevado potencial genético os produtores de base familiar do Estado. De acordo com ele, o programa tem sofrido baixas desde o ano passado, quando os agricultores receberam um lote de sementes de baixa qualidade, o que acarretou perdas na produção. Este ano, segundo ele, foi entregue um lote de qualidade, mas em quantidade bastante reduzida.

Bruno Alves também cobrou políticas voltadas para o escoamento da produção. De acordo com ele, os agricultores ainda são “reféns” de atravessadores, que elevam os preços dos produtos, dividindo com os comerciantes a maior parte do lucro da produção. “É uma situação muito triste para o agricultor, que produz e fica com a menor parte desses rendimentos”, observou.

Sobre a questão hídrica, a secretária de Negócios Rurais e Abastecimento de Monsenhor Tabosa, Dalila Santos, considerou a instalação de uma adutora que ligue os açudes próximos ao município como uma das questões mais urgentes. Segundo ela, o açude que abastece Monsenhor Tabosa não sangra desde 2011. “O que tem nos salvado é o programa de perfuração de poços. Somos um dos municípios com mais poços perfurados, mas, por conta das próprias condições geográficas, a água é muito difícil de captar e de baixa qualidade”, lamentou.

Ela também cobrou a destinação de programas de assistência técnica agrícola continuada. Muitos produtores sofrem perdas frequentes, seja na produção agrícola, pela escassez de água, seja de rebanho para verminoses, porque os produtores não têm uma assistência continuada que lhes permita aprender com as eventualidades que surgem no trabalho no campo. 

Raimundo Parente, secretário de Agricultura de Santa Quitéria, também criticou a indisponibilidade de assistência técnica por parte da Empresa de Assistência e Extensão Rural do Ceará (Ematerce). A empresa, segundo ele, não tem feito um bom trabalho, limitando-se à distribuição de sementes. A falta de assistência técnica, conforme observou, acarreta perda de produção e dificuldades para a vida dos produtores.

O secretário cobrou mais apoio do Governo do Estado para a agricultura familiar. “Nós paramos durante a pandemia, sofremos perdas e dificuldades, cujas consequências ainda estamos enfrentando”, acrescentou. Ele ressaltou ainda que o Move Ceará, nesse contexto, é uma grande iniciativa e um passo sólido na construção de um plano que pode impactar positivamente na vida dos produtores dessa região.

A coordenadora regional da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras do Estado do Ceará (Fetraece) também reforçou a questão da escassez hídrica, mas chamou a atenção para a necessidade de políticas para jovens e para a modernização do trabalho no campo. Para ela, é preciso pensar na “sucessão rural” e construir uma vida diferente do que era antes da pandemia.

“Não que não queiramos que nossos jovens não sigam outras carreiras, mas que se crie uma cultura diferente, que dê oportunidade ao jovem do campo e que os faça ter orgulho de ser filho ou filha de agricultores e que faz parte desse tipo de vida. Precisamos modernizar o campo, de políticas para aquisição de maquinário, tornar o campo atraente e consonante com o desenvolvimento da sociedade”, avaliou.

No período da tarde, o Move Ceará prosseguiu o diálogo com representantes dos setores de construção civil e educação. O projeto visita ainda, nesta quarta-feira (20/04), o município de Tauá, onde irá debater as demandas da região dos Inhamuns.

MOVE CEARÁ

Resultado da parceria entre a Assembleia Legislativa do Ceará, por meio do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos, e a plataforma de negócios TrendsCE, o Move CE revisitou importantes planos de desenvolvimento econômico em execução no Ceará. A partir do diagnóstico já realizado pelos estudos, o projeto se dedica à priorização de ações de curto prazo por meio da escuta ativa dos principais agentes estratégicos e atores do Estado, a partir da realização de 14 encontros regionais, um em cada macrorregião cearense.

Já foram realizados encontros regionais em Fortaleza, Crato, Sobral, Camocim, Aracati, Baturité, Canindé e Quixeramobim. Nas próximas duas semanas, o Move Ceará continuará sua rota estratégica pelas macrorregiões cearenses, com encontros nos municípios de Limoeiro do Norte (Vale do Jaguaribe), Iguatu (Centro-Sul), Itapipoca (Litoral Oeste/Vale do Curu) e Guaraciaba do Norte (Serra da Ibiapaba).

Todo o levantamento estratégico das macrorregiões do Ceará estará disponível na plataforma Move Ceará, que agrupa o acervo completo de notícias e materiais acerca dos trabalhos em desenvolvimento no Estado.

Fonte: Blog do Manuel Sales

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